Blog de poesia da Nádia.

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Quero agradecer a todos os visitantes que têm contribuido para que este blog seja um lugar muito especial para mim e que têm partilhado comigo a paixão que é a escrita. Um enorme abraço, do fundo do coração,
Nádia



Gostar de ti nasceu naturalmente
A distância, o tempo em que não era eu nem tu eras tu
Em nada fez mudar o sentimento
Porque gostar de ti é tão natural

Como as canções dos passarinhos
E gostar de ti é mais do que uma recompensa
É um sol que surge após dias imersos em chuva
É um abraço que conforta quando algo não está bem
E acordar de manhã
Lembrar que fazes parte do que sinto
E que te lembras de mim
Como eu me lembro de ti
É um presente sem laço
Sem sequer embrulho feito
E onde não cabe o meu amor
Não cabe a minha amizade
E vão crescendo as saudades
Do tempo em que não brincámos
Quando éramos crianças
Das histórias que não criamos
E que gostávamos de criar.
Dos sonhos que poderíamos
Juntas, de mãos dadas, alcançar.

Mas estou aqui, mana.
Vou estar sempre.
Fecha os olhos.
Agora abre.
Vês?
Ainda estou aqui…
Porque gosto muito de ti.


Ponto de rebuçado 



Como ainda sou pequenino
E novo é o meu mundinho
Tento entender o que me envolve
Tento perceber quem eu sou
E oiço os sons que acontecem
Ora se chove ora se faz sol
Na rua, em casa, no jardim da vizinha do lado
Que tem um gato engraçado
Com bigodes cor de algazarra
Com a Flora, olha que farra
Se tornaria a calmaria.
Já sei bem o que é água, bola, e até sei dizer au au
Paiiiii, com toda a garra e pujança
E mamã…com toda a delicadeza.
E sem esquecer a Bia, a estrelinha pacata
Que habita mesmo em frente à minha janela
Tão simpática a estrelinha
Um dia destes vou convidá-la para brincar
Tenho muitas bolas e livros giros
E até tenho carrinhos coloridos
Um cavalinho branco e um jipe para o rebuliço
Porque sou rapaz, ta tudo dito
E tenho bus. Os meus bus, que eu não sei bem bem o que são
Chamam-lhe bus, devem ter a sua razão
Para mim são uns meninos grandes que cuidam de mim
Que brincam comigo e fazem caretas engraçadas
E fazem-me rir tanto que até fica a doer a barriga
Dançam e cantam comigo, pegam-me ao colo e rejubilam
Quando eu chego da casa dos papás.
Mas não faz diferença, sabem
Sei que os bus não são bia, nem rebolam como a bola
Não fazem au au como a Flora
Nem são água como a que ontem vi cair do céu
Mas sei que fico feliz quando os vejo
São assim, um rebuçado sem embrulho, sabem?
E por isso sou bebé corajoso, forte e traquina
Por saber que tenho bus que gostam muito de mim
E só para o caso de serem um bocadinho distraídos…
Também gosto muiiiiiiiiiito de vocês.


---Aos BUS da minha vida---


Mensagem Especial 




Era uma vez uma madrinha…
A minha madrinha…
Ela gostava muito de ser actriz
E eu gostava muito que ela fosse
Para dar vida aos dragões das histórias
Às lamparinas encantadas e aos super-heróis.
Daqui a uns tempos, quando já não for trapalhão
E conseguir escutar com atenção
Vou buscar o meu livro preferido
E pedir-lhe carinhosamente: Lês-me esta história, por favor?
E eu sei…
Porque a minha madrinha é como aquelas fadas
Que abrilhantam todos os contos e fábulas,
Vai sentar-me no seu colinho
Dar-me um beijinho na testa e sorrir.
Depois vai deslizar pelas páginas
Imitando os sons vibrantes da história
Colorindo com a expressão cada palavra.
E isto enquanto eu, já em pulgas
Vou soltando uns Ahhh e uns Eiiii
Não querendo que aquele momento acabe.
Fica a certeza de que depois do “ e foram felizes para sempre”
Outro momento como este surgirá.
E outro, e outro, e outro
Porque, não sei se já vos contei…a minha madrinha vai ser actriz.
E também eu vou querer um dia,
Contar-lhe uma história, nem que seja pequenina
A de um menino feliz por ter uma madrinha como ela.

( Do Suguito para a madrinha B)


Estrelinha 


Enquanto a rabugice tentava medir forças com as brincadeiras do papá, lá decidi pegar no Huguinho e levá-lo até ao quartinho.
Logo que me vê aproximar da porta fica radiante. Em tom de alegria, move as pernas e os braços e rasga um intenso sorriso.
Como gosta de ver os “popós” a passar, sobretudo durante a noite, quando se tornam mais caricatos aos seus olhos, sentei-o no parapeito da janela, encostando a cabecinha à dele (são pequenos mimos que trazem sabor a chocolate, já que o tempo que estou com ele não é muito).
Mesmo em frente à janela , quase que sedenta de atenção, espreitava uma estrela.
Apontei para o céu escuro e disse: Estrelinha!
O Hugo olhou e apontou também, como que admirado. Uma luz…pensaria ele…mas não é igual à luz da minha casa, nem à luz dos telemóveis, nem dos meus bonequinhos.
Por uns instantes fitou a estrela, parecendo dialogar com ela em formas curtas de silêncio.
Por brincadeira fui dando voz a um e a outro, criando uma hipotética conversa entre um bebé e uma estrelinha. O Huguinho perguntava à estrelinha onde morava, quantos anos tinha e se gostava tanto de iogurte como ele. E lá pelo meio contaria com certeza as suas mil e uma aventuras no escritório do papá, arrumando “desarrumadamente” os livros de capa dura.
Por instantes ausentámo-nos do quarto e fomos fazer uma visita ao papá. Mas a rabugice voltou e achei por bem conduzir o Gugu até à janela novamente.
Logo que o sentei no parapeito, surpreendentemente, sem que eu tivesse dito fosse o que fosse, ele olhou para o céu e fixou a admiração na estrelinha. Emocionada com o momento perguntei: É a estrelinha? – e o Hugo apontou para o céu.
Ali ficámos , juntinhos um do outro a fazer companhia à estrelinha reluzente, até o soninho aparecer e mandar embora a rabugice.
Naquele bauzinho de momentos especiais, que todos trazemos dentro de nós, ficará aquele instante em que o meu filhote pareceu perceber o porquê da presença da estrelinha: queria somente ser contemplada por alguém tão inocente e simples, que a fizesse sentir feliz na sua nobre missão de tentar mudar o mundo.


O meu pequeno aventureiro 

Bouuuuu…e lá vai ele, estilo “ à la pinguim”, expressando uma satisfação imensa por avistar o comando da televisão e já conseguir caminhar sozinho em direcção a ele.
Pois é, o meu menino já caminha. E é uma alegria tão grande cá dentro por o ver evoluir, que é difícil não me emocionar só ao descrever aqui a sensação.
O sentimento de orgulho exacerba-se quando o meu pequenino caminha em direcção a mim, rindo da sua própria trapalhice e me felicita com um xi-coração do tamanho do mundo.

Eu sei que as preocupações passaram a ser outras a apartir do momento em que ele começou a andar pelo seu próprio pé e sem necessitar da nossa mão para o conduzir. Entrou num mundo novo de coisas fantásticas para descobrir e eu e o papá só temos de estar logo atrás para o amparar, quase invisíveis, para o deixarmos crescer e aprender pela própria vivência.

Assim, como descobriu o botão da televisão, que adora ligar e desligar não deixando o pai ver programa nenhum do início ao fim, assim como descobriu que adora ouvir políticos e reage batendo palmas, irá descobrir muitas mais realidades e provavelmente inventar outras.

Espero que a minha mãe tenha feito um seguro de vida às plantas, porque não me parece que vão gostar muito de ter o Hugo a correr a casa e se calhar não era má ideia tirar os dvd’s do alcance dele, tal é o fascínio por aparelhos electrónicos. Tudo serve para “fingir” estar ao telemóvel: o próprio telemóvel, o biscoito que tanto gosta, o patolas ( o patinho de pelúcia a quem dá apertados abraços) e até a caixa de toalhitas. Haja imaginação que o Hugo vai a caminho!

Mais uma etapa alcançada.
O tempo voa literalmente e as conquistas na aprendizagem são tantas que fica o receio de não conseguir registar todas. Não quero perder uma migalhinha que seja da sua evolução e apesar de ter de abdicar obrigatoriamente do meu tempo com o meu filhote para trabalhar ( como todos nós fazemos), trago-o comigo a todo o instante e sinto-me uma verdadeira sortuda pelo filho magnífico que tenho.


O que vem de dentro 


Apesar do tempo decorrido desde a última etapa escolar, não me permiti desistir de viver diariamente com o mesmo sentimento de partilha, de necessidade de aprender constantemente e sobretudo, de valorizar o que envolvia a escola.
Esse sentimento aliado ao facto de gostar imenso de canetas, papel em geral, blocos de folha, borrachas, aguças e outros materiais de papelaria, faz com que eu aprecie com especial carinho o início das aulas.
Com alguma saudade recordo quando meu pai chegava a casa com os novos livros para o ano escolar que estava à porta. Sentava-me em cima da cama e folheava cada um deles, deliciada com o cheirinho a papel e encantada com o que estava a ler.
A escolha da mochila, do estojo, dos marcadores…tudo isso era mágico para mim e ainda agora, com 28 anos acabados de fazer, sinto rigorosamente a mesma coisa. Rejubilo com livros infantis, com esferográficas aos bonequinhos, livros grandes, pequenos, de capa dura ou capa mole e sonho que um dia o meu filhote possa sentir da mesma forma este mundo das palavras e de ensinamentos constantes. Apesar de ser ainda pequenino, sinto uma enorme alegria quando o vejo sentado no chão do quarto a folhear os livros que lhe vou dando. Com 13 meses apenas não saberá tão pouco o que está a ver, mas com alguma atenção vai sentindo o toque suave dos livros, vai apontando para as imagens e soltando palavras e sons deveras curiosos.
Daqui a uns tempos irei orgulhosamente com ele comprar a sua primeira mochila, absorverei com todos os meus sentidos o que de bom terão os seus manuais para contar e entre uma ou outra malandrice, irei reviver as brincadeiras de recreio, irei aprender novas canções infantis e jogar novos jogos, que o meu Huguinho me irá ensinar.
Este mundo que preservo desde há muito tempo e que confunde por vezes muitos adultos, faz de mim o que sou hoje, faz-me envolver naquilo em que acredito e sobretudo, permite que os meus sonhos não se desvaneçam seja por que motivo for.
E como adoro assistir aos desenhos animados, e como adoro sentar-me numa livraria e explorar os livros coloridos que lá moram…
Já agora, espreitem o Boom & Reds. São o desenho animado preferido do meu filhote e quanto a mim, são de uma simplicidade espantosa, ao mesmo tempo que prendem a atenção de qualquer um.
Como é bom ser criança, mesmo com 28 anos!