
Como ainda sou pequenino
E novo é o meu mundinho
Tento entender o que me envolve
Tento perceber quem eu sou
E oiço os sons que acontecem
Ora se chove ora se faz sol
Na rua, em casa, no jardim da vizinha do lado
Que tem um gato engraçado
Com bigodes cor de algazarra
Com a Flora, olha que farra
Se tornaria a calmaria.
Já sei bem o que é água, bola, e até sei dizer au au
Paiiiii, com toda a garra e pujança
E mamã…com toda a delicadeza.
E sem esquecer a Bia, a estrelinha pacata
Que habita mesmo em frente à minha janela
Tão simpática a estrelinha
Um dia destes vou convidá-la para brincar
Tenho muitas bolas e livros giros
E até tenho carrinhos coloridos
Um cavalinho branco e um jipe para o rebuliço
Porque sou rapaz, ta tudo dito
E tenho bus. Os meus bus, que eu não sei bem bem o que são
Chamam-lhe bus, devem ter a sua razão
Para mim são uns meninos grandes que cuidam de mim
Que brincam comigo e fazem caretas engraçadas
E fazem-me rir tanto que até fica a doer a barriga
Dançam e cantam comigo, pegam-me ao colo e rejubilam
Quando eu chego da casa dos papás.
Mas não faz diferença, sabem
Sei que os bus não são bia, nem rebolam como a bola
Não fazem au au como a Flora
Nem são água como a que ontem vi cair do céu
Mas sei que fico feliz quando os vejo
São assim, um rebuçado sem embrulho, sabem?
E por isso sou bebé corajoso, forte e traquina
Por saber que tenho bus que gostam muito de mim
E só para o caso de serem um bocadinho distraídos…
Também gosto muiiiiiiiiiito de vocês.
---Aos BUS da minha vida---

Era uma vez uma madrinha…
A minha madrinha…
Ela gostava muito de ser actriz
E eu gostava muito que ela fosse
Para dar vida aos dragões das histórias
Às lamparinas encantadas e aos super-heróis.
Daqui a uns tempos, quando já não for trapalhão
E conseguir escutar com atenção
Vou buscar o meu livro preferido
E pedir-lhe carinhosamente: Lês-me esta história, por favor?
E eu sei…
Porque a minha madrinha é como aquelas fadas
Que abrilhantam todos os contos e fábulas,
Vai sentar-me no seu colinho
Dar-me um beijinho na testa e sorrir.
Depois vai deslizar pelas páginas
Imitando os sons vibrantes da história
Colorindo com a expressão cada palavra.
E isto enquanto eu, já em pulgas
Vou soltando uns Ahhh e uns Eiiii
Não querendo que aquele momento acabe.
Fica a certeza de que depois do “ e foram felizes para sempre”
Outro momento como este surgirá.
E outro, e outro, e outro
Porque, não sei se já vos contei…a minha madrinha vai ser actriz.
E também eu vou querer um dia,
Contar-lhe uma história, nem que seja pequenina
A de um menino feliz por ter uma madrinha como ela.
( Do Suguito para a madrinha B)

Enquanto a rabugice tentava medir forças com as brincadeiras do papá, lá decidi pegar no Huguinho e levá-lo até ao quartinho.
Logo que me vê aproximar da porta fica radiante. Em tom de alegria, move as pernas e os braços e rasga um intenso sorriso.
Como gosta de ver os “popós” a passar, sobretudo durante a noite, quando se tornam mais caricatos aos seus olhos, sentei-o no parapeito da janela, encostando a cabecinha à dele (são pequenos mimos que trazem sabor a chocolate, já que o tempo que estou com ele não é muito).
Mesmo em frente à janela , quase que sedenta de atenção, espreitava uma estrela.
Apontei para o céu escuro e disse: Estrelinha!
O Hugo olhou e apontou também, como que admirado. Uma luz…pensaria ele…mas não é igual à luz da minha casa, nem à luz dos telemóveis, nem dos meus bonequinhos.
Por uns instantes fitou a estrela, parecendo dialogar com ela em formas curtas de silêncio.
Por brincadeira fui dando voz a um e a outro, criando uma hipotética conversa entre um bebé e uma estrelinha. O Huguinho perguntava à estrelinha onde morava, quantos anos tinha e se gostava tanto de iogurte como ele. E lá pelo meio contaria com certeza as suas mil e uma aventuras no escritório do papá, arrumando “desarrumadamente” os livros de capa dura.
Por instantes ausentámo-nos do quarto e fomos fazer uma visita ao papá. Mas a rabugice voltou e achei por bem conduzir o Gugu até à janela novamente.
Logo que o sentei no parapeito, surpreendentemente, sem que eu tivesse dito fosse o que fosse, ele olhou para o céu e fixou a admiração na estrelinha. Emocionada com o momento perguntei: É a estrelinha? – e o Hugo apontou para o céu.
Ali ficámos , juntinhos um do outro a fazer companhia à estrelinha reluzente, até o soninho aparecer e mandar embora a rabugice.
Naquele bauzinho de momentos especiais, que todos trazemos dentro de nós, ficará aquele instante em que o meu filhote pareceu perceber o porquê da presença da estrelinha: queria somente ser contemplada por alguém tão inocente e simples, que a fizesse sentir feliz na sua nobre missão de tentar mudar o mundo.